11/12/2009

Samba do Rio: Ensaios Técnicos da Mangueira e Cubango

EnsaioTcnicoCubango thumb Samba do Rio: Ensaios Técnicos da Mangueira e Cubango Antes de mais nada, esta coluna, na semana passada, completou um aninho de vida. Que venham muitos…Agradeço pela sua insistência e boa vontade de ler estes textos de um sambista carioca. Salve!
A atenção do carioca ontem foi disputada. Era inauguração de árvore da Lagoa, jogo do Flamengo e Botafogo e ENEM. Mesmo assim, o público compareceu ao Sambódromo. Tímido, mas foi. Com um céu ameaçando chuva, foi dada a largada de ensaios técnicos rumo ao carnaval 2010.

 

Com uma hora de atraso, a Acadêmicos do Cubango fez bonito na Sapucaí. Considerada a surpresa da noite, a escola de Niterói disse a que veio. A bateria, com a presença de sua madrinha de bateria Samantha Schultz, fez uma entrada explosiva em frente ao setor 1. Depois, a comunidade marcou presença demonstrando sua força e garra na avenida.

EnsaioTcnicoMangueira thumb Samba do Rio: Ensaios Técnicos da Mangueira e Cubango Não posso deixar de falar na homenagem consciente que muitos componentes fizeram em colocar uma fitinha cruzada vermelha na camisa da escola, fazendo alusão ao Dia Internacional de Combate a AIDS.
Com o enredo "Os loucos da praia chamada Saudade", a Cubango eletrizou o público presente. O samba de Diego Nicolau, Sardinha, Carlinhos da Penha, Junior Duarte, Dilson Marimba e Raphael Prates foi facilmente cantado pela comunidade e pelos espectadores. "É mais que paixão, beirando a loucura/vesti verde ebranco, ninguém me segura/Cubango encanta e traz liberdade/Aos loucos da praia chamada saudade."

Alguns buracos entre as alas e as falhas no carro de som foram os figurantes no espetáculo, cujo este tinha uma loira de vestido vermelho e sapato em cima de um caminhão. A loira pedia aplausos e levantava a arquibancada com sorrisos e câmeras por toda a parte. Vez por outra, ela tirava a peruca e se revelava de Milton Cunha, o carnavalesco da escola. Por fim, limito-me a dizer que a Acadêmicos do Cubango passou bem pelos 700 metros da Sapucaí com porte de escola do Especial. Que cuidem-se as outras.
Logo depois, a passarela foi colorida de verde e rosa. A Estação Primeira de Mangueira foi saudada, por seu presidente Ivo Meirelles, trajando uma camisa do Flamengo e com uma bandeira metade o escudo da escola e metade o símbolo rubro negro.

No início, ele parabenizou a todos os times cariocas e felicitou o Flamengo pelo hexacampeonato. Em seguida, disse que a escola vinha mais preparada que nunca e que ela continuava inabalada, apesar de tudo. Agradeceu a presença do público e prometeu um tremendo espetáculo. E assim o foi.
A escola veio completa e cantante.  Um tripé, que nada mais era uma parte de uma alegoria, pedia aos foliões para a escola passar. Alguns costumeiros destaques, com suas imensas e bem trabalhadas fantasias, também pediam passagem.

Os diretores de alas eram uma atração à parte, pois incitavam seus componentes a cantar e festejar, como se fosse o desfile para valer. Por isso, Mangueira brincou no Sambódromo e impulsionou as arquibancadas, que nesta hora, já estavam cheias até o setor 9.

A Mangueira vai falar da música do Brasil e, talvez, é justamente esta música que irá render o esperado campeonato. Os intérpretes puxavam bem o samba. O carro de som ficou equilibrado e demonstrou a potência do coro verde e rosa. Foi curioso ver que os componentes faziam uma "mesma" coreografia na hora de cada ritmo apresentado:o axé no axé, o frevo nos pés, e o remelexo do bumbum no funk.  
Porém, a verde e rosa não veio perfeita. Apesar dos diretores de alas que tentavam a todo momento organizá-las, a escola pecou em evolução e harmonia. A maioria dos componentes se desalinhava e realizava uma tremenda "feira", promovendo verdadeiros "clarões" na avenida. Não por acaso, o presidente Ivo ficou no meio da avenida, na altura do setor 11, cumprimentando todos e mandando beijos para os foliões.

A famosa bateria Surdo Um fez bonito na avenida. Com a presença da rainha Renata Santos, os ritmistas treinaram algumas paradinhas que devem ser utilizadas no dia do desfile oficial. Inclusive, no momento "No sonho dourado embarquei….Parece magia!/Vai minha inspiração", como você pode conferir no vídeo. Logo, a galera aprovou e delirou conforme os ritmistas iam passando. No fim do desfile, a apoteose virou festa e todo mundo se reuniu para sambas de outrora.

Finalmente, se apoteose significa a transformação do ser humano em Deus, ao final da noite de ontem, muitos Deuses cariocas compunham a divindade carnavalesca.

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