21/05/2009

Publicidade no Rio de Janeiro com palavra estrangeira deverá ter tradução

vereadorrobertomonteiro thumb Publicidade no Rio de Janeiro com palavra estrangeira deverá ter tradução Foi sancionada pelo prefeito Eduardo Paes uma daquelas leis que são motivo de piada: a tradução obrigatória de todas as expressões estrangeiras escritas em qualquer tipo de anúncio publicitárioa veiculado nos estabelecimentos da cidade. O estabelcimento que não cumpir a lei será multado em, R$ 5 mil, valor que poderá ser dobrado se houver reincidência.

 

Então vamos lá, a Lei de autoria do vereador Roberto Monteiro quer que troque algumas palavras. Já que pretende defender o uso da língua portuguesa, oras, deveríamos voltar a falar latim ou quem sabe o tupi… Língua é uma coisa viva que muda, incorpora novas palavras e mata outras. Ou ainda deveríamos usar o vosmecê?

 

Palavras como “delivery” ou “drive-thru”, e o que deveremos dizer então de “shopping”? Barrashopping dveria passar a ser Centro de Compras da Barra? Ou o Downtown passará a se chamar Centro? E por aí vai…

 

Sabe poderíamos deixar de chamar futebol e usar ludopédia… e acabar com palavras como mousse, lingerie, abajur… ah, e mouse, delet, internet… é sério, como foram sancionar uma coisa dessa?

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Eduardo Paes, Opinião carioca

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  • Elesbão

    Legislar sobre a língua é o tipo de bobagem típica de vereador.
    .
    De qualquer forma, se a polêmica suscitar um debate sobre o excesso de anglicismos, pode ser útil. Acabei de retornar de Portugal, onde a banda toca em outro tom: lá, a tendência é de uma expressão pátria para designar o termo estrangeiro, o que pode ser importante para fortalecer o vocabulário.
    .
    Nada contra outras línguas, mas em muitos casos a requisição do inglês se deve a preguiça e ignorância.

  • Roberto

    Discordo. Esta lei existe também na França. Em Paris, os anúncios com expressões em inglês apresentam a tradução da expressão discretamente, geralmente nos cantos, em letras pequenas . Um gesto pequeno, praticamente simbólico, mas que ninguém deixa de entender quando são se trata dos franceses protegendo sua cultura.

    No entanto, só tenho visto a imitação carioca criticada até agora.

  • Mariana Vasconcelos

    Falta do que fazer…
    Não tem nada melhor pra fazer? A Câmara precisa de outras leis e não dessas coisas sem pé nem cabeça…
    Vai fiscalizar a prefeitura e não ficar inventando lei aqui e acolá.
    Uhhh estou vendo Portugal fortalecendo a ligua, será? Já que o portugues brasileiro está invadindo o portugues da terrinha.

  • Wendel

    Não vejo mal na lei…Acredito que seja até bom pra aquelas pessoas que não têm a mínima noção de inglês…Lógico que há coisas super,ultra,mega importantes a serem tratadas…Mas apoio a lei.

  • Luis

    Realmente, há assuntos mais importantes. Só que mal, também não faz.
    Ainda assim, é interessante notar que quando as palavra são em inglês, todo mundo acha lindo, tudo fica “cool”. Agora, experimente usar expressões dos nossos “hermanos”. Derrota total! Quando essencialmente é a mesma coisa!

    Ninguém precisa ser mais realista que o rei, mas se existe a expressão em português, por que não fazer uso dela?! Deletar, customizar, printar, outlet shopping, x% off, business… ninguém merece isso.

    A gente ainda é meio silvícola mesmo…

  • http://www.gabrielsperandio.com Gabriel Sperandio

    Deveríamos também chamar o metrô de metropolitano ou de “metro”, paroxítona, como na terrinha se usa. O acento circunflexo vem do fato de que em francês as palavras são oxítonas. Aliás, esse tipo de simplificação de palavras é típico dos franceses mesmo, então deixa metropolitano mesmo…

  • http://www.gabrielsperandio.com Gabriel Sperandio

    NA prática, as marcas dde material esportivo é que costumam bastante colocar o slogan em inglês. Fora isso, não sei como a lei rege em nome de produto ou serviço exclusivo de estabelecimentos. Só falta o Big Mac ter que mudar de nome. Mas, por exemplo, um plano gold de um plano de saúde. A tradução de plano gold é plano gold, pois não se trata de ouro literalmente…

  • Helio

    Imagine você entrar no Beto’s (ex-Bob’s) e pedir um sanduba(?) triplo-queijo-búrguer(?) acompanhado de um sol-dae(?).

    Pixa-se a lei, o seu sancionador Eduardo Paes, mas não se fala que o autor do projeto foi o vereador comunista Roberto Monteiro, seguidor da linha de pensamento (?) da Secretária Municipal da Cultura Jandira Feghali (como traduzir esse sobrenome estrangeiro para o português?), sua companheira do PCdoB. Coitadas das crianças cariocas, tendo sua cultura oficialmente determinada por comunistas cubanos ou chineses, que ganharam o posto como “pagamento” do apoio eleitoral no 2º turno…

    Mas, não esquente a cabeça. No fim de semana, meta a família no seu Carro do Povo (Volkswagen) e tenha cuidado com os semáforos…

  • http://www.twitter.com/lapsrj Leandro

    Eu gostei da lei. Tem vezes que as lojas exageram, como usar OFF, sale e outras palavras do tipo, isso pra mim já é demais, só que tem as palavras em inglês que depois de tanto uso a maioria já sabe o que é, como delivery, mas isso não quer dizer que as lojas devam usa-la.

    O que eu acho que deveria acontecer é um bom senso das lojas, mas como não há tem que criar leis. Nós estamos no Brasil, não nos EUA ou no Reino Unido, aqui a lingua é português, mas nas vitrines de algumas lojas passa a ser inglês.

  • roberto carlos moreira

    DICA PARA O DIÁRIO DO RIO

    http://riotransparente.rio.rj.gov.br/

    • http://intensedebate.com/people/quintino quintino

      Opa Roberto, já conheço o Rio Transparente, vale muito apena.

  • Daniel Guimarães

    Ridiculous…

  • Elesbão

    Fica difícil dizer o que é má fé ou analfabetismo funcional quando se argumenta contra a lei utilizando marcas.
    .
    “Falta do que fazer” é cômodo para adjetivar qualquer projeto que não passe pelo óbvio foco do populismo. É mais uma daquelas expressões vazias que as pessoas arrotam no elevador.
    .
    O Projeto, no entanto, merece as críticas ao tentar legislar sobre a língua, ela mesma o resultado das misturas. Claro, existe uma distinção entre incorporar ao vocabulário termos que se prestam melhor e a mera e preguiçosa assunção de quaisquer palavras, muitas vezes paradoxalmente menos claras e confortáveis ao entendimento.
    .
    Mariana, guarde a ironia e use os fatos. Portugal usa, sim, expressões brasileiras, como se espera de qualquer língua viva e próxima – vide a observação sobre a inocuidade em se legislar sobre o tema. A diferença, sempre ela, a favor de quem absorve *e processa*, é a forma como se dá esse diálogo – sem trocadilho.
    .
    Naturalmente, não é o caso de seguir às cegas o caso lusitano ou francês; apenas compreender o Mundo além da esquina, reduzindo a chance de ecoar opiniões as quais se ignora.

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