04/02/2010

Por que se chama Mourisco parte de Botafogo?

PavilhoMourisco2 thumb Por que se chama Mourisco parte de Botafogo? O blog Rio Antigo é realmente ótimo. Ontem o blog me resolveu uma grande dúvida que tinha, porque Botafogo tem um sub-bairro chamado Mourisco. De acordo com o Rio Antigo se deve a um Pavilhão Mourisco (um exemplo que ainda pode ser visto é a Fundação Oswaldo Cruz em Manguinhos ou a Basílica do Imaculado Coração de Maria no Méier) que havia onde hoje é o Centro Empresarial Mourisco.

 

O prefeito Pereira Passos, no início do século XX, e com seu plano modernizador da cidade construiu a Avenida Beira Mar para ligar o Centro do Rio a Zona Sul (começava na Av. Chile ia até a Praia de Botafogo) mandou construir para marcar o fim da avenida o Pavilhão Mourisco, com projeto do arquiteto Alfredo Burnier para funcionar como café e restaurante, a decoração foi realizada pelo italiano Orestes Sercelli que também foi responsável pela decoração da Igreja Matriz em São Paulo.

PavilhoMourisco thumb Por que se chama Mourisco parte de Botafogo? No pavilhão, inaugurado em 1907, além do restaurante e café, funcionava um teatro infantil, o Teatrinho de Guignol. com exibição de títeres e marionetes e um ringue de patinação. O lugar rapidamente entrou na moda mas em 1920 já tinha saído.

 

Em 34 virou a Biblioteca Infantil do Distrito Federal, por iniciativa da poetisa Cecília Meireles. Em 1937, durante o Estado Novo, o local é fechado por conter livros de conotações comunistas. era o perigosíssimo “Aventuras de Tom Sawyer”, de Mark Twain. Acabou se tornando um ponto coletor de impostos.

 

E o progresso, sempre esta desculpa, acabou por destruir um edifício belíssimo, em 1952 é demolido durante a administração João Carlos Vidal para dar espaço para o Túnel do Pasmado.

 

PavilhoMourisco3 thumb Por que se chama Mourisco parte de Botafogo? O pavilhão, diz o Rio Antigo, era coberto por cinco cúpulas douras, tinha duas escadas de mármore que davam acesso às varandas do primeiro pavimento. Nas colunas ao lado das entradas e no teto decorado liam-se numerosas inscrições árabes. A Revista de História complementa com mais detalhes:

…era de planta retangular e tinha em cada extremo uma torre hexagonal que se erguia sobre esbeltas colunas de inspiração árabe, lembrando o Pátio dos Leões da Alhambra de Granada, na Espanha. Cada torre tinha uma cúpula dourada em forma de bulbo. No corpo central despontava uma torre maior, que, assim como as outras, acabava com elementos de metal coroados com a meia-lua. As cúpulas eram cobertas de cerâmicas com reflexo metálico, o que produzia um efeito brilhante sob a luz do sol. Lembravam outras cúpulas produzidas pela arquitetura islâmica, como a da mesquita Al Askari, em Samarra (Iraque), erguida em 1905 – talvez inspiração para o projeto carioca. Sobre o corpo central de alvenaria surgia uma armação metálica, com terraços sustentados por colunas de ferro fundido.

 

As cerâmicas e os azulejos artísticos que revestiam e decoravam toda a parte externa eram importados de Valência, na Espanha…

 

Em cada lado das torres havia portas verticais que terminavam em arco de ferradura, e nos corpos laterais, os três acessos tinham forma de ferradura apontada. No alto da entrada principal apareciam, escritas em árabe, as palavras “Café Cantante”.

 

PavilhoMourisco4 thumb Por que se chama Mourisco parte de Botafogo? Três grandes terraços destinados ao café ficavam na parte frontal e nas laterais, com duas escadarias de acesso, acompanhadas por postes para a iluminação noturna do exterior. Em todas as aberturas havia vitrais de cores que provocavam, no salão interior, belos efeitos de luz. Nele funcionava o restaurante, que contava com quatro torres como salões reservados. Elementos arabescos – com formas de folhas, flores, frutos e cintas – de várias cores cobriam paredes, colunas e teto. O interior da cúpula central era sustentado por quatro colunas centrais com apliques de luz elétrica. Do teto pendiam várias luzes de sete lâmpadas. O piso era feito em parquê, com peças de madeira paralelas. A cozinha, a copa e o bufê ficavam no térreo, sendo os fregueses servidos por meio de um elevador duplo instalado no meio do salão…

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Categorias:
Botafogo, História, História do Rio

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  • http://www.gabrielsperandio.com Gabriel Sperandio

    De todas as obras do Rio Antigo, essa é uma das duas (a outra é o Monroe) que até hoje deixam-me grande insatisfação tanto por eu não ter conhecido quanto por eu não poder ver hoje. Salva um pouco ainda ter restado o castelo da fio Cruz, que eu vejo quase todo dia, mas o pavilhão Mourisco foi a gota d`água da falta de cultura de preservação. E seria um copo inteiro derramando e inundando se vazio estivesse. Inclusive mostrando o jeito eclético arquitetonicamente inclusive como característica do Rio.

    E mesmo em fotos não são lá muitas.

    E dá muita raiva do edifício modernoso que usa em vão esse nome em seu lugar sempre que me lembro da existência desse palácio.

    Que isso sirva de exemplo para se pensar duas vezes antes de retocar nossa paisagem com monstrengos ou mudanças de ambiência. Mas queria que até como exemplo fosse dispensável e o Mourisco e o Monroe tivessem sobrevivido. Principalmente com a engenharia desenvolvida o suficiente para desviar as vias sem grandes problemas (e que no caso do Monroe foi tentado e bem sucedido, mas um general em Brasília mandou derrubar do mesmo jeito…)

    • http://diariodorio.com Quintino Gomes (Editor)

      Gabriel,
      há um costume de bater palmas a quem destrói o patrimônio do Rio de Janeiro e ainda chamam isso de progresso

      • Cámila Breia

        Adorei o seu comentário Quintino Gomes. Realmente é de partir o coração. Acabei de entrar em outro link sobre o “Café Persa” e partiu meu coração duas vezes.

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