24/03/2009

Não são fogos

Por Mel Gadelha

mail thumb Não são fogos Moro em Copa há exatos 10 anos. É um dos poucos bairros no Rio que definitivamente não param. É sempre aquela movimentação durante a semana e nos finais de semana. Sempre gente na rua ou na orla, muitos lugares abertos e também tem a questão do metrô, que colabora para esse "tumulto" todo, como alguns definem o bairro (eu adoro!). Moro praticamente na quadra da praia, numa das ruas mais tranquilas.

 

No entanto, para minha surpresa, no último domingo, um dia tranqüilo e que sempre passamos com a família, foi um dos dias mais barulhentos para quem mora na região. Confesso que sou meio distraída e sempre confundi o barulho dos tiros com o dos fogos. Ok, podem rir à vontade. Mas no último domingo, na hora do almoço, foi impossível confundir. Era muito tiro. Muito mesmo! De assustar. E volto a dizer: moro quase na praia, bem longe da Ladeira dos Tabajaras. Por isso nem imagino o desespero que passaram os moradores que residem ali perto.

No dia seguinte, segunda-feira, o clima era de tensão. Por sorte, entrei, saí e voltei ao bairro antes dos tiroteios que fecharam as ruas Santa Clara e Figueiredo de Magalhães, fora o fechamento do Túnel Velho na hora do almoço. À noite, Copa estava esquisita demais. Quase não tinha gente na rua. Todo mundo com medo, olhando para os lados e estes poucos pedestres andavam rápido para casa. Um silêncio jamais visto nas redondezas e que só era interrompido com tiros.

 

Assisti aos telejornais da noite, li os jornais de hoje de manhã e só existe uma coisa que me surpreende mais do que tamanha violência que tomou o bairro nestes dois últimos dias: o silêncio das autoridades. E pior: a imprensa não cobra absolutamente nada. Ninguém fala e parece, também, que ninguém vê o tanto que esta cidade está entregue. E ninguém nem ouve mais os tiros. Devem achar que são fogos. E depois a distraída sou eu.

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Categorias:
Copacabana, Violência

Comente!

  • Taís

    pior que não é só aí meu bairro sofre com isso à anos e ninguém faz nada! Minha vida aqui no meu bairro que eu não vou dizer qual é, é um inferno. Em pensar que a 15 anos atras não era assim. Talvez se a policia tivesse tomado atitude aqui pra começar, hoje aí em copacabana não estaria assim, sem destino, como aqui está.
    O que fazer ? porra nem uma! não adianta protesto, não adianta nada!
    Principalmente que se você abre a boca, é capaz de te matarem.
    A vida tá muito complicada!

  • luis

    Uma pergunta: Que cidade do mundo existe isso além do Rio de Janeiro?
    “isso” = áreas conflagradas, verdadeiras zonas de guerra, em áreas nobres e turísticas em que traficantes dão tamanha demostração de força, colocando a população sob uma enorme sensação de insegurança e impotência.
    Em que outra cidade as pessoas escutam tantos tiros, mesmo em áreas mais valorizadas?

  • http://diariodorio.com Quintino Gomes (Editor)

    O pior foi o secretário de segurança dizendo q a culpa é da favela estar ali, do usuário… peraí né.

  • Raul

    “A culpa é da floresta. Sem a floresta eles não poderiam se esconder lá”
    Beltrame

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