19/02/2010

Menos blocos no Rio de Janeiro em 2011?

BlocoGigantesdaLiraporBethCastelo Menos blocos no Rio de Janeiro em 2011? Primeiro, desculpem-me por não ter postado ontem, foi meu dia de Sergio Cabral, não fiz nada. Bem, de acordo com uma matéria no G1 a Prefeitura do Rio está pensando em diminuir o número de blocos na Zona Sul do Rio, privilegiando os mais antigos. Se a primeira vista parece uma idéia, analisando bem não é tanta.

 

A idéia é que os mais novos desfilem em outras partes da cidade. Mas como? Um bloco é feito normalmente por um grupo de amigos, moradores daquela área, frequentadores de um bar, esse tipo de coisa, não surge do nada. Um morador de Bangu não decide ter um bloco e fala: “Mas vai ser no Leblon!!!”, é claro que não!

Privilegiar outros blocos é um passo para a bahianização do  nosso carnaval e impede que surjam blocos que acrescentam muito ao carnaval do Rio de Janeiro. O Monobloco tem apenas 10 anos e desfilava no Leblon, por exemplo, e o que dizer do “Exalta, Rei”, que surgiu ano passado na Urca?

 

Temos que tomar cuidado com isso que se continuar assim os blocos vão acabar parando no Autódromo, com direito a camarote e abadás.

 

Foto: Bloco Gigantes da Lira por Beth Castelo

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Categorias:
Bloco de rua, Carnaval, Destaque, Rio de Janeiro

Comente!

  • Cristina Reis

    Muito pertinente a sua matéria comentando sobre a bahianização do carnaval do Rio de Janeiro. Alguém um dia disse, que o carioca e o bahiano têm alma gêmea. A pessoa pode vim de qualquer parte do estado brasileiro, mas ao chegar nas duas cidades o do Rio de Janeiro ou de Salvador, ou você se torna carioca ou bahiano, ou não se torna ninguém.
    Dos dez anos para cá tenho assistido na Cidade do Rio de Janeiro o aumento gradativo do excesso de foliões em que alguns “tais blocos” já passam da casa de milhares e de milhões e de entidades que congregam os chamados blocos carnavalescos que no fundo não passam de Micaretas ou de Trio elétrico com as suas enlouquecedoras caixas de som em alto volume
    Se percebemos os chamados pé sujos, os blocos de rua que saíam com seis ou sete músicos instrumentais já quase não existem mais.
    Geralmente, os blocos de rua viam da idéia de um morador da sua própria rua que se cotizavam ou passavam o chapéu com o pedido patrocínio ao comércio local para as pequenas despesas de suas bandas e de camisetas. Os Blocos de Rua em sua maioria eram de familiares com as suas crianças, idosos e os fantasiados com a sua mordaz crítica política que aproveitavam o seu momento de lazer e de diversão gratuita.
    Hoje não. Quem patrocinada as grande entidades, vamos dizer assim, é a Prefeitura, a grande mídia e as fábricas de cervejas. E parece que o Povo não percebe isso.
    Realmente, existe algumas diferenças em relação com a Bahia. E uma delas é, para você ter o direito de brincar dentro de um espaço vigiado por seguranças tem que comprar os tais ABADÁS. Se não correrá o risco de ser assaltado, currado ou agredido até por que muitos são jovens turistas e de gente com situação financeira privilegiada economicamente que se dá ao displante de desembolsar uma bagatela de R$180,00 a R$380,00 por um pedaço de pano colorido, de se embebedarem e de se beijarem na boca o quanto for possível. Outra é a longevidade dos festejos. Na Bahia começa-se logo após o reveillon os chamados carnavais fora de época. O da época começa duas semanas que antecede o carnaval e termina uma ou duas semanas depois, e não tem hora para acabar. E depois começa novamente os carnavais fora de época que vai até o final do ano. Tudo é motivo para o carnaval. E acaba que os bahianos tendo a fama de que não gostam de trabalhar. Outro detalhe é a colocação dos camarote gigantesco em pleno logradouro público em que os vip`s terão o direito tirar foto, dar um aceno de mão e poderão sem problema nenhum assistir a passagem dos caminhões gigantescos trazendo os ilustres cantores de AXÉ.
    Mas, o que tem em comum a Cidade do Rio de Janeiro e a Bahia? Ao final da festa, as duas cidades ficam impregnadas com o cheiro de fezes e urina, a depredação do patrimônio público e privado, o acúmulo de lixo e a degradação do meio ambiente local e ninguém se responsabilizará por isso. Nem as musas morena e a loura e nem os patrocinadores. E que a população das duas cidades arquem dos seus próprios bolsos o direito de consertaram o que destruído. Tudo em nome da alegria festeira do povo carioca e da bahiana.

  • http://jobimnatal@twitter.com Alexandre Capistrano

    Concordo plenamente, o Carnaval do Rio é bom pela oportunidade de brincar sem ter que gastar uma fortuna pelo abadá e ser esmagado num bloco cheio de seguranças trogloditas e com mais 5.000 componentes.

    Acho que o folião de Rua do Rio de Janeiro tem que se mobilizar e proibir a Bahianização do Carnaval do Rio. Nada contra a Bahia, até porque ou Nordestino, de Natal, e gosto muito daquela terra, mas cada um no seu quadrado, assim como fez Olinda que proibiu por lei, se tocar música de axé no seu Carnaval, o Rio tem que se proteger dessa onda.

    Como disse o Blogueiro, se Cláudia Leite que ir para o Carnaval de Rua do Rio em 2011 será bem recebida, mas dentro das condições do Carnaval de Rua do Rio.

    Sobre a diminuição dos Blocos de Rua para 2011, também concordo. Como um bloco criado por amigos ou habituées de um determinado bar no Baixo Leblon pode levar seu bloco pra Tijuca ou Ipanema?

    Parabéns pelo blog. Leio-o diariamente. Sou apaixonado por essa terra maravilhosa.

    Alexandre Capistrano
    Natal / RN

    • http://diariodorio.com Quintino Gomes (Editor)

      Alexandre,
      muito obrigado!!!
      .
      Os blocos tem de manter suas características. Os mais comerciais, como o Monobloco, podem até mudar de área mas os menores ou tradicionais tem de ser mantidos onde estão.

  • Lula Dias

    O carnaval de rua carioca é especialíssimo e não preciso de Leite nem de Preta. Essas representantes daquele desfile horroroso de carros horrorosos tocando musiqueta horrorosa não chega aos pés das bandinhas dos blocos do Rio tocando as saborosas e insquecíveis marchinhas de carnaval. Xô, xuá, cada macaco no seu galho. O seu galho é na Bahia e fique por lá com seu abadá sem graça.

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