Fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro

Este texto foi originalmente publicado no Site Marcilio.com, em que há um tributo ao Rio. O motivo para reproduzir aqui é o layout do site, que impedia a leitura.

SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO – UMA FUNDAÇÃO EM ETAPAS

Processo Histórico

O processo histórico da fundação da Cidade do Rio de Janeiro inicia-se no ano de 1563, quando Estácio de Sá chega de Portugal, com a frota militar para a conquista da terra e vai até o regresso do Governador Mem de Sá à Baía de Todos os Santos, em maio de 1568. Nestes quatro anos situa-se a morte do capitão a quem se deve o decisivo impulso para a conquista do sítio e pacificação da terra. Foi graças ao seu esforço e dos primeiros moradores que se puderam assentar os fundamentos da nova Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

A Obra de Estácio de Sá
Como o Governador do Brasil o mencionara como sobrinho, a atenção dos historiadores orientou-se no sentido de apurar, na vasta ninhada de 8 ou 9 filhos do Cônego Gonçalo Mendes de Sá, o tronco paterno do homem que veio a ser o fundador da Cidade do Rio de Janeiro. Os recursos nobiliários, permitiram concluir que Estácio de Sá era sobrinho de Mem de Sá no sentido que era dado à palavra no século XVI: os filhos ou descendentes em linha direta de um primo germano. Manuel Álvares Pedrosa apresenta Estácio de Sá como filho de Diogo de Sá, moço fidalgo, morador de Santarém e primo direto do Cônego Gonçalo, donde, o Governador ser primo segundo do pai de Estácio(1). Filgueiras Gayo apresenta como pai de Estácio a Álvaro Pires de Sá, também de Santarém(2).

Estácio de Sá chegou ao Brasil em 1557, na esquadra do Governador com outros primos, segundo Capistrano de Abreu.(3). Em 22 de novembro de 1559 foi nomeado capitão da galé Conceição e tomou parte na frota que deveria livrar a Guanabara da presença dos franceses, na galé sob seu comando. Esteve em São Vicente com Mem de Sá depois da tomada da fortaleza francesa e daí foi enviado ao Reino para solicitar auxílio da Coroa para a pacificação da região da Guanabara. Em fins de 1560 chegou à Bahia de Todos os Santos, levando a bordo João Cointa em cujo processo depôs a 3 de janeiro de 1561.(4) Sua chegada a Lisboa não pode ser datada, mas acredita-se que tenha ocorrido em março seguinte.

A frota de socorro partiu de Lisboa, em 15 de fevereiro de 1563, tendo como piloto Manuel Gibardo e aportou em Salvador a 1º de maio, devido às calmarias. Além dos soldados que Estácio de Sá conseguiu recrutar, faziam parte da frota quatro jesuítas. Com a volta de Estácio e a incumbência recebida da Regente, Mem de Sá viu serem adiadas suas possibilidades de voltar ao reino e renovado o seu período de Governador Geral, que já havia tido a duração de seis anos em terras do Brasil.

Durante este período, na Guanabara, os franceses não tardaram a voltar, porque contavam com a aliança dos indígenas e encontrando a região livre dos portugueses resolveram fortalecer as aldeias de Uruçumirim, que ficava no continente, junto ao Rio Carioca, no local de Henriville e Paranapucuhy que ficava na grande Ilha de Maracajá. O comércio do pau-brasil e de pimenta não foi interrompido, para satisfação dos armadores da Normandia e da Bretanha.

O Padre Nóbrega tentava resolver a questão tamoia promovendo a paz, para facilitar a catequese e acabar de vez com as intermináveis guerras, para isto embarcou juntamente com Anchieta para Iperoig, internaram-se pelas aldeias Tupinambás e conseguiram captar a confiança de três caciques: Caoquira, Pindobuçu e Cunhambeba, que não era o mesmo com que Villegagnon tinha feito amizade na Guanabara. Mas os Tamoios do Rio de Janeiro chefiados por Aimbiré e Guaxará, se opuseram tenazmente a qualquer idéia de conciliação, influenciados pela amizade dos franceses e tentaram impedir a concórdia entre os jesuítas e os índios.

Por isto os missionários conseguiram fazer a paz apenas com os Tamoios das proximidades de São Vicente, em 28 de maio de 1563. Mas Anchieta ficou refém e só conseguiu voltar a Bertioga em 21 de setembro, por interferência de Cunhambeba.

O Governador determinou que uma pequena armada retornasse ao Rio de Janeiro, como ficasse preso ao governo das Capitanias do Norte, delegou a Estácio de Sá o comando da esquadra. A missão era “fazer povoação” no Rio de Janeiro e dela fazia parte o Ouvidor Brás Fragoso que deveria conseguir auxílio no Espírito Santo.

A frota chegou à Guanabara a 6 de fevereiro de 1564, tendo conseguido no Espírito Santo ajuda do capitão-provedor Belchior de Azevedo que se incorporou à mesma e do valente cacique temiminó Martim Afonso Araribóia, juntamente com todos os seus índios, que voltavam à Guanabara depois de terem sido expulsos pelos índios Tamoios, da Ilha de Maracajá, para ajudar os portugueses na expulsão dos franceses. Os aborígines locais, com cerca de cem canoas atacaram dois barcos, matando homens e pondo Estácio de Sá em dificuldades.

Devido às hostilidades, Estácio resolveu buscar auxílio de mais combatentes em São Vicente e enviou um navio para comunicar ao Padre Nóbrega a missão da qual o havia incumbido o Governador Geral pedindo-lhe que viesse acompanhá-lo no empreendimento. Na Guanabara Estácio viu uma nau francesa que foi apresada e incorporada à frota sob o comando de Antonio da Costa.

Nóbrega, trazendo Anchieta, partiu a 19 de março e chegou à Guanabara no dia 31, sexta-feira santa, porque pararam em Iperoig. A esquadra de Estácio de Sá, no entanto, devido a demora de Nóbrega, havia saído dois dias antes para São Vicente. Os missionários encontraram a Ilha de Villegagnon em situação de depredação, indicando que estava abandonada e mostrando que os franceses não tinham tentado reconstruir o Forte de Coligny, mas foram cercados pelos Tamoios. Inesperadamente surgiu à entrada da Baía a frota de Estácio de Sá, que havia voltado em virtude do mau tempo encontrado e pode dar auxílio aos missionários desprotegidos e desarmados.

Enfim Estácio se encontrava com Nóbrega e Anchieta, no domingo de Páscoa foi celebrada uma missa na Ilha, conforme carta de Anchieta de 8 de janeiro de 1565, mas a situação em que se encontravam era muito grave e tinham navios avariados que precisavam de reparos, resolveram então partir para São Vicente logo que o tempo melhorasse e esperar uma situação mais adequada para retornar. A região da Guanabara mais uma vez era abandonada pelos portugueses(5).

Estácio de Sá permaneceu alguns meses em São Vicente reparando as embarcações e juntando recursos para voltar à região da Guanabara, foi um período de contratempos e dificuldades.

Estava Estácio no Porto de São Vicente, quando lhe foi entregue um documento em 12 de maio, assinado pelos vereadores da terra de Piratininga, pedindo que o Capitão-mor não voltasse ao Rio de Janeiro sem deixar tranqüila a Capitania que atravessava uma fase por demais difícil. O plano de Estácio da criação de uma cidade iria contribuir para a segurança de toda a região, pacificar os Tamoios e acabar de vez com a presença dos franceses constituía uma grande tarefa cuja solução não deveria tardar. Era a unidade do Brasil português que estava em causa, sobrepondo-se ao interesse particular de cada uma das Capitanias, no caso a de São Vicente.

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Uma Penosa e Cruenta Conquista do Território
A Chegada à Guanabara

A armada ficou em São Vicente até fins de 1564, ultimando os preparativos e aguardando a vinda dos índios Tupiniquins que tinham feito a paz com os portugueses e cuja ajuda contra os Tamoios era bastante importante, mas que acabaram não seguindo junto com os portugueses. Estácio de Sá insistia para que o plano de Mem de Sá fosse conduzido, apesar dos capitães não acharem conveniente fundar uma cidade, pois a armada era pequena e não dispunha de mantimentos para muito tempo.

Estácio de Sá partiu de São Vicente a 22 de janeiro de 1565, acompanhado dos jesuítas José de Anchieta e Gonçalo de Oliveira, na nau Capitânia, o Ouvidor Brás Fragoso permaneceu em São Vicente até consertar o galeão São João e a nau francesa capturada. No dia 27 do mesmo mês saíram de Bertioga cinco navios pequenos e oito canoas conduzindo mamalucos e índios de São Vicente e de Cananéia, os temiminós do Espírito Santo e discípulos cristãos de Piratininga. No mesmo dia chegaram à Ilha de São Sebastião onde permaneceram até 1º de fevereiro. Três dias depois chegaram à Ilha Grande, onde os barcos pequenos e canoas seguiram seu rumo ao longo da costa com cautela pois entravam em terras dos Tamoios. A 28 de fevereiro chegaram à Baía de Guanabara. Na véspera havia chegado à Baía, vindo do norte, João de Andrade que trazia três navios com mantimentos. No dia seguinte com a chegada da nau Capitânia, todos se reuniram na Ilha Redonda e juntos entraram na Baía de Guanabara.

O Capitão-mor achou conveniente não se instalar em terra firme, onde a defesa era difícil. Escolheu uma língua de terra entre o Morro Cara de Cão e os penedos do Pão de Açúcar e da Urca, onde seria mais tarde o istmo da península de São João, para erguer a cerca modesta que seria o núcleo inicial de uma grande cidade futura.

“Estácio de Sá, tendo que fundar uma povoação entre esta babilônia de águas e de ilhas, e que mais Babilônia ainda faziam as turbas de gentios e de franceses que de tudo estavam de posse, assentou que não devia expôr a primeira colônia muito pelo seio adentro.”(6)

Os acontecimentos ocorridos entre 22 de janeiro de 1565, partida de Estácio de Sá de São Vicente até 31 de março, quando Anchieta partiu para a Bahia, com o propósito de se ordenar, foram narrados por Anchieta, numa carta enviada ao Padre Diogo Mirão, Provincial da Companhia de Jesus de Portugal, escrita em 9 de julho de 1565, na Bahia.(7)

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Uma Fortaleza no Atlântico Sul

No dia 1º de março de 1565 foi iniciada a edificação da cerca que colocaria os portugueses ao abrigo do ataque dos Tamoios. Estácio de Sá na presença de Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, fundou uma povoação instalada sob a invocação de São Sebastião, em lembrança do patrono do jovem Rei de Portugal D. Sebastião (1557-1578) sob cujo signo se erguia a nova cidade – SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO.

O local não era dos mais adequados para se estabelecer uma cidade, mas estava mais protegido dos ataques inimigos. Estácio deu à cidade uma instituição administrativa, podendo-se assim dizer que em 1o de marco de 1565 estava fundada a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, para esta tarefa Estácio havia sido enviado ao Rio:

“Da Catarina mandou Estácio de Sá para não só correr a costa, mas também para de uma vez expulsar do Rio de Janeiro os franceses, fundando ali uma cidade debaixo das determinações do Governador Geral Mem de Sá.”(8)

Anchieta em sua carta assim descreve o primeiro dia em terra:

“Logo ao seguinte dia, que foi o último de fevereiro ou primeiro de março, começaram a roçar em terra com grande fervor e cortar madeira para a cerca, sem querer saber dos tamoios, nem dos franceses. Mas como quem entrava em sua terra, se foi logo o capitão-mor a dormir em terra, dando ânimo aos outros para fazer o mesmo, ocupando-se cada um em fazer o que lhe era ordenado por ele, scilicet cortar madeira e acarreta-la aos ombros, terra, pedra e outras coisas necessárias para a cerca, sem haver nenhum que a isso repugnasse. Desde o capitão até o mais pequeno, – todos andavam e se ocupavam em semelhantes trabalhos.”(9)

A 6 de março foram atacados pelos índios, sob o comando de Aimbiré inimigo dos portugueses e alcançaram sua primeira vitória, embora parecesse que havia cem índios para cada português. Quatro dias depois avistaram uma nau francesa, no fundo da Baía e enquanto lhe davam combate o arraial foi atacado por quarenta e oito canoas dos Tamoios. O capitão conseguiu vencer os índios e levar os franceses à rendição no dia 13 de março.

O primeiro mês de vida do arraial foi de extrema dificuldade para os homens de Estácio de Sá, mas foi também de consolidação da defesa e de fazer plantações na vizinhança. Além dos ataques dos índios chovia abundantemente, as provisões esgotavam-se e as dificuldades eram grandes. O ânimo dos moradores começava a esmorecer e o Capitão-mor não cansava de lhes incutir confiança, trabalhando de dia e de noite.

Não se têm notícias de cartas, trocadas entre o Rio de Janeiro, o Reino e o Governador, pedindo tropas de socorro. Mas quando Anchieta esteve na Bahia, em julho, deve ter exposto ao Governador a situação em que se encontravam os moradores do Rio de Janeiro.

Em 1o de julho, Estácio de Sá, criou uma sesmaria que doou à Companhia de Jesus representado pelo Padre Gonçalo de Oliveira que foi o capelão da fundação da cidade e da Igreja de São Sebastião, por uma petição em que no Padre dizia que estava ali:

“mandado por seu superior o Padre Manuel da Nóbrega, reitor e comissário da dita Companhia na Capitania do Espírito Santo e de São Vicente”,(10)

Em 16 de julho doou outra sesmaria à municipalidade que além do espaço para construções, incluía a terra para as pastagens que iriam permitir à povoação prover suas necessidades. João Prosse recebeu o patrimônio territorial como Procurador da cidade:

“húa legoa e meya de terra, comessando da caza de pedra ao longo da Bahia athé onde Seacabar, e para o Sertão o mesmo, e que virá sahindo a Costa do Mar brabo, e cavia/como e Sua petição dizião (os moradores da cidade).”(11)

Entre 1565 e 1566, Estácio de Sá concedeu mais de cinqüenta sesmarias no litoral da Guanabara e nas costas de Cabo Frio. As maiores foram dadas a Pero Martins Namorado, José Adorno e Brás Pereira.

Nos fins de 1565, preparava-se em Lisboa uma armada para enviar ao Brasil, formada de três galeões. A largada deu-se em maio seguinte, com o comando de Cristóvão Cardoso de Barros.(12) Na expedição estava também o novo Ouvidor Geral, Fernão da Silva, que vinha substituir Brás Fragoso e vinha na esquadra também o Padre Visitador Inácio de Azevedo. Cristóvão de Barros trazia ordens para que Mem de Sá também seguisse para o Rio, com a frota, quando aportasse na Bahia.

O Regente D. Henrique enviara duas cartas mandando lançar o hábito de Cristo, a Mem de Sá e ao sobrinho Estácio, em recompensa pelos serviços prestados à Coroa Portuguesa.(13) A Corte não poderia estimar, nesta época, a magnitude da obra erguida no Rio de Janeiro, graças a Estácio de Sá, por isto o considerava sem os títulos e qualidade que requeria e o grau de noviço da ordem estava sendo concedida a um homem apagado e muito jovem, que só tinha como mérito ser sobrinho do Governador Geral e “morador nas partes do Brasil”, mas Estácio ficaria na História por um título muito mais importante: o de fundador de uma das mais importantes cidades do Brasil.

Na Guanabara, os moradores continuavam a enfrentar ora os Tamoios, ora os franceses, que com suas naus provocavam a armada e com o tempo os ataques se intensificavam, com disposição de acabar de vez com o arraial-cidade, porque sabiam que se não o fizessem enquanto as forças eram reduzidas, mais cedo ou mais tarde teriam que enfrentar os reforços que de certo chegariam da Bahia.

A 9 de julho de 1566, Estácio se viu envolvido em um episódio que quase lhe custou a vida e de outros companheiros. Francisco Velho, um dos soldados do arraial, saiu para procurar madeira para construção da Igreja. Foi atacado por canoas inimigas e foi acudido por Estácio acompanhado de mamalucos. Mas foi atacado por Guaraxá, chefe Tamoio, emboscado na enseada do Flamengo atrás do Morro da Viúva.(14) Tinham muitas canoas e cercaram os portugueses, inesperadamente a pólvora que levava uma das canoas de Estácio acendeu-se e causou grandes labaredas que atemorizaram os índios que fugiram cheios de espanto e terror. Os portugueses acreditaram que teriam sido salvos por São Sebastião, a quem haviam tomado por padroeiro nesta guerra.(15)

Estácio de Sá preocupava-se com os aspectos importantes da vida de sua pequena comunidade, constituída de homens de formação social diferente, muitos excelentes guerreiros, porém, marcados por taras sociais. Era difícil passar o tempo numa língua de terra onde se vivia o constante receio de um ataque inimigo, sem outro pensamento que não a incerteza do dia seguinte.

Ainda em 1565, passou o Capitão-mor a dar seus atos de governo “desta cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro“.(16) Não havia mais dúvidas, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro existia de fato e de direito. A cidade estava fundada, mas faltava muito para a sua completa pacificação.

O Capitão-mor nomeou Pedro Martins Namorado para o cargo de Juiz Ordinário, a Câmara local foi representada a 24 de julho de 1565 por João Prosse, Pedro da Costa era o Tabelião, João Luís do Campo foi nomeado escrivão.

Na posse do Alcaide-mor, Francisco Dias Pinto, em 3 de setembro de 1566, estiveram presentes o Alcaide-pequeno e o carcereiro Francisco Fernandes, o juiz Pero Martins Namorado e o capitão Estácio de Sá que:

“detendo-se com as mais pessoas à porta principal da cidade e fortaleza, lhe disse que cerrasse as portas. O que fez o alcaide-mor com as suas próprias mãos, bem como os dois pórticos sobrepostos nelas com as suas aldravas de ferro; ficando Estácio de Sá fora das portas e muros, lhe perguntou o alcaide-mor, que estava dentro, se queria entrar, e quem era ele. Ao que respondeu que queria entrar e que era o capitão da cidade de São Sebastião, em nome de El-Rei Nosso Senhor; e imediatamente lhe foi aberta a porta, dizendo o alcaide-mor que o reconhecia por seu capitão em nome de Sua Alteza, cuja cidade e fortaleza era.”(17)

Pedro da Costa, em 16 de setembro de 1566 foi substituído por Gaspar Rodrigues de Góes(18) e passou a ser Tabelião das Notas e Escrivão das Sesmarias e a 6 de novembro, Estácio lhe concedeu “o selo das armas desta cidade”, para com ele selar “todas cousaz que direitamente pertencerem ser selladas”.(19) O Governador Geral Mem de Sá confirmou as nomeações feitas por Estácio de Sá, em 5 de abril de 1567.(20)

Como brasão da cidade foi escolhido o molho de setas em homenagem ao mártir São Sebastião, setas que mais tarde haveriam de lembrar o fim trágico do jovem e valoroso fundador.

A frota de socorro da Coroa portuguesa chegou a Salvador em 24 de agosto de 1566, onde permaneceu alguns meses juntando mais dois navios e seis caravelas e fazendo os últimos preparativos para a partida ao Sul.

 

(1) – Biblioteca Nacional de Lisboa, Fundo Geral, 1014, tomo VI, folha 209 vº: Nobiliário das Famílias Portuguesas escrito por
Manoel Álvares Pedroza.

(2) – Filgueiras Gayo. Nobiliário de Famílias Portuguesas tomo XXVI, Braga, 1940, páginas 140 a 146.

(3) – Varnhagen. História Geral do Brasil; nota à 10ª edição, volume I, página 368, nota 46.

(4) – Annais da Biblioteca Nacional do Rio De Janeiro: Tomo XXV – Processo de João de Boles e Justificação requerida pelo mesmo- 1560-1564. 1904, pág. 215-308.

(5) – Os fatos deste período foram narrados por Anchieta em carta de 8 de janeiro de 1565 e reproduzidos por J. A. Teixeira de Mello nos Annaes Da Biblioteca Nacional do Rio De Janeiro. Tomo II, 1877, págs. 119-120, e em VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. História Geral do Brasil. 10a ed., vol I, tomo I, São Paulo, Edições Melhoramentos, 1978, nota XII de Capistrano de Abreu, pág. 321.

(6) – Francisco Adolfo de Varnhagen, Visconde de Porto Seguro. História Geral do Brasil. 10a ed., vol I, tomo I, São Paulo, Edições Melhoramentos, 1978, pág. 324.

(7) – Esta carta possue trechos ilegíveis e lacunosos, foi transcrita por Balthazar da Silva Lisboa em Anais da Província do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Tomo VI, 1835, págs. 166-181 e na Revista do IHGB, Tomo III, Rio de Janeiro, 1841, págs. 148-158, 2a ed. 254-262. Está publicada no livro ANCHIETA, José de. Cartas, Informações, Fragmentos Históricos e Sermões – 1554- 1594. Academia Brasileira de Letras – Rio de Janeiro, 1933 e Livraria Itatiaia,1988, págs. 257-267, que foi a versão aqui utilizada.

(8) – Baltazar da Silva Lisboa. Anais do Rio de Janeiro, O Fundador da Cidade São Sebastião do Rio de Janeiro. I, 86, apud WETZEL, Herbert Ewaldo. Mem de Sá – Terceiro Governador Geral – 1557-1572, pág. 109.

(9) – Anchieta diz que: “no dia seguinte que foi o último de fevereiro ou 1o de março”. Em 1584, foi mais explícito e escreveu primeiro de março, em Informações e Fragmentos Históricos, 7, segundo VARNHAGEN, Francisco Adolfo de, Visconde de Porto Seguro. História Geral do Brasil. 10a ed., vol I, tomo I, São Paulo, Edições Melhoramentos, 1978, nota I da seção XIX, págs. 337-338.

(10) – Serafim Leite – S. I.. Suma Histórica da Companhia de Jesus no Brasil. (Assistência de Portugal) – 1549-1760. Junta de Investigação de Ultramar, Lisboa, 1965, pág. 34.

(11) – Doação das Sesmarias da Cidade conforme Arquivo do Distrito Federal, Translado da medição das terras do Senado da Câmara (1753), Códice 29, Cofre f. 4, Publicado na Revista do Arquivo do Distrito Federal IV, Rio de Janeiro, 1953, 8 e RIOS, Morales de Los. Subsídios para a História da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Revista do IHGB, tomo especial, 1o Congresso de História Nacional. I, Rio de Janeiro, 1915, págs. 1225-1226.

(12) – Francisco Adolfo de Varnhagen, Visconde de Porto Seguro. História Geral do Brasil. 10a ed., vol I, tomo I, São Paulo, Edições Melhoramentos, 1978, pág. 327.

(13) – A.N.T.T., Chancelaria da Ordem de Cristo, livro 1, folhas 16vº e 17, documento publicado por Souza Viterbo: Estudos sobre Sá de Miranda, in O Instituto, volume XLIII, Coimbra, 1896, págs. 342-343, doc. XV e em SERRÃO, Joaquim Veríssimo. O Rio de Janeiro do Século XVI, Vol. II, págs. 53 e 54.

(14) – Herbert Ewaldo Wetzel. Mem de Sá – Terceiro Governador Geral – 1557-1572. Rio de Janeiro, Conselho Federal de Cultura, 1972, pág. 117.

(15) – Frei Vicente do Salvador. História do Brasil – 1500-1627, 7a ed., Coleção Reconquista do Brasil, Volume 49, São Paulo, Editora Itatiaia Ltda., 1982, pág. 161.

(16) – A.N.T.T., Chancelaria de D. Sebastião e d. Henrique, Doações, livro 30, f. 280 apud WETZEL, Herbert Ewaldo. Mem de Sá – Terceiro Governador Geral – 1557-1572, pág. 120. O “Ofício que deu o Governador Estácio de Sá a Belchior de Azevedo”, feito nesta cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, a 14 de julho de 1566 encontra-se no A. N. T. T. e foi publicado por Balthazar da Silva Lisboa em Anais do Rio de Janeiro, I, págs. 94-101.

(17) – Baltazar da Silva Lisboa. Anais do Rio de Janeiro, OFundador da Cidade São Sebastião do Rio de Janeiro. I, 105 apud WETZEL, Herbert Ewaldo. Mem de Sá – Terceiro Governador Geral – 1557-1572, pág. 118. Cerimônia de posse do alcaide- mor lavrada pelo tabelião Pedro da Costa.

(18) – Arquivo do Distrito Federal, Provisões (1565-1592), f. 9v, Códice 1, cofre, Livro I publicado na Revista do Arquivo do Distrito Federal, IV, Rio de Janeiro, 1953, págs. 13-14, “Translado da provisão de Gaspar Rodrigues, de Tabelião do público judicial, pelo Capitão-mor Estácio de Sá, 16/09/1566? apud WETZEL, Herbert Ewaldo. Mem de Sá – Terceiro Governador Geral – 1557-1572, pág. 119.

(19) – Arquivo do Distrito Federal, Provisões (1565-1592), f. 96, Códice 1, Cofre, livro II publicado na Revista do Arquivo do Distrito Federal, IV, Rio de Janeiro, 1953, págs. 24-25, “Provisão de Estácio de Sá, para Pedro da Costa, tabelião das notas e escrivão das dadas” apud WETZEL, Herbert Ewaldo. Mem de Sá – Terceiro Governador Geral – 1557-1572, pág. 119.

(20) – Idem, ibidem.

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