25/03/2009

Eduardo Guerra invadindo o Begê

 

baixogvea thumb Eduardo Guerra invadindo o Begê Quem mora no Rio sabe que quinta e domingo são dias clássicos de ir ao "Begê" (Baixo Gávea para quem não conhece). É um programa que atravessa gerações e já faz parte da rotina de muitos cariocas.

 

No último domingo, quando o Baixo estava vazio devido à derrota do Flamengo no clássico com o Vasco, o atual Prefeito programou uma operação choque de ordem para o Begê. A operação contava com uma verdadeira tropa de choque que, na verdade, possuía mais gente do que o número de freqüentadores dos bares.

 

De acordo com um garçom, a Prefeitura estabelece um número "X" de mesas a cadeiras que podem ser colocadas na calçada. Até aí nenhum problema. Mas o lugar estava tão vazio, que algumas meninas insistiram para colocar mais uma mesa fora, pois era aniversário de uma delas. Para surpresa do grupo, que freqüenta o local há muitos anos, o garçom respondeu enfático: "Ordens do novo Prefeito. Está vazio, tem mais homem da Prefeitura do que freqüentador, mas não podemos desobedecer. Esse novo Prefeito de ‘Paes’ não tem nada. É Eduardo Guerra".

Um dos freqüentadores, ao ver a cena, logo interagiu: "O atual Prefeito precisa entender que isso aqui é Baixo Gávea, não é baixo-astral. Ele deve é tirar mendigo da rua e não desestimular o turismo e o lazer do carioca. Olha quanto gringo tem aqui".

 

As meninas que antes queriam outra mesa na calçada acabaram conseguindo uma após muito tempo de espera. Mas como se já não bastasse tanto descontentamento, um dos amigos esperados por elas chegou, puxou uma cadeira, mas logo foi abordado por um dos agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública que ordenou a retirada da cadeira. Sem comentários.

 

Todos os moradores querem ordem na cidade que tanto amam. Mas existe um limite entre a ordem e o midiático. E o atual "novo" governo já extrapolou esta linha há muito tempo. O atual Prefeito, como diziam antigamente, foca na formiga enquanto a boiada passa. Preocupar-se com uma pessoa que pega uma cadeira para sentar num bar enquanto há centenas de moradores em pé nas filas dos hospitais e UPAs que, segundo Eduardo Guerra, resolveriam o problema da saúde, é mostrar total falta de foco.

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Eduardo Paes, Opinião carioca

Comente!

  • Raul

    To ficando velho… Na minha época o apelido do Baixo Gávea era “Baixo”… Begê eu não conhecia…

    Eu contava até uma piada quando não queria sair de casa e um amigo me perguntava: – Vai sair hoje?
    Eu respondia: Vou pro baixo…
    Amigo: Que legal , Baixo Gávea?
    Eu: Baixo do cobertor …

  • Marco Antonio

    E!!!

    Nestas horas e que a gente ve como tem gente acostumada a fazer o que quer na cidade do Rio de Janeiro. Tao mal acostumada que ser obrigada a cumprir uma simples regra de postura municipal e motivo de relutancia, reclamacoes e tudo mais.

    Nao e porque tem gente morando nas ruas, nas favelas e esperando nas filas de hospitais para serem atendidas que o resto da populacao deve se sentir isenta de cumprir as leis, as regras e etc e tal.

    Mas e compreensivel! afinal sao decadas e, para muitos, desde que eles nasceram, que a cidade esta jogada “ao Deus dara”.

  • Bruno Sereno

    O problema é que sempre fomos acostumados a lidar com a desordem e com a vagabundagem, por isso o nosso país e cidade é conhecido por prostituição e lugares como a Help. Ter cadeiras na calçada é animado, dá um clima legal, deixa o ambiente interessante ? Até concordo … Mas é Ilegal … Existem no Catete bares que em época de fim de ano e ano novo usam tantas mesas e cadeiras na calçada que eu não consigo passar. Além do constrangimento de passar a 1cm de alguém jantando no meio da calçada. Existem problemas mais sérios ? Sem dúvida, mas são de pequenas desordens como essa que são gerados problemas maiores e a acomodação da bagunça e o estado de desordem. Concordo com o prefeito.
    Nosso mal é cultural, se você vai num país sério, isso não existe, mas aqui o pessoal acha um absurdo … Esse é o país que elege bandidos, apoia pivete e adora a desordem … Triste …

  • Dado

    Acho que o pessoal que escreve aqui nesse blog não sabe o significado das palavras ordens e cidadania….fazer o que né? É compreensivel, para que apoiou tantos anos o Cesar Maia e sua desordem…

  • Raul

    A coisa mais normal do mundo é ter mesas na calçadas. Vai em Paris http://z.about.com/d/gofrance/1/0/J/A/pariscafe19.jpg ,em Madrid
    http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/28/Plaza_Mayor002.JPG/800px-Plaza_Mayor002.JPG
    e as ruas estão cheias de mesas.

    Torna a cidade mais agradável!

  • André Delacerda – Diário do Rio

    Dado, depende da sua conotação de ordem e cidadania. Tem gente que fala em ordem e cidadania, mas ensina o filho a passar a perna nos demais, que ensina a não devolver o troco se lhe passarem a mais, que quando ninguem ver dar robadinha no transito. Convenhamos nesse país, não há santos, nem as autoridades são santas. Vide nosso excelentissimo governador que deveria perder a carteira de motorista, como foi noticiado nos jornais, por descumprir regras de transito e não foi punido.
    O problema no caso do susposto Choque de Ordem é o seguinte, se vamos derrubar uma construção ilegal, então que derrubemos todas e não somente um, ou se vamos derrubar o avanço de um bar, vamos fazer com todos e não somente um. Porque então fica parecendo que dar previlegios a uns e deixa os queridos. Eu sou pelo principio da equidade. E não de medidas piritecnicas para vender um jornal, ou para passar uma suposta impressão de normalidade.
    Na década de 80 quando eu era uma criança, a minha professora já nos ensinava na aula de Moral e Civica, nem sei mas se existe essa materia tão importante, que junto com filosofia transforam o carater e os valores do homem; mas na aula aprendiamos que se você quer mudar o comportamento do cidadão deve evitar palavras tipo NAO, e buscar metodos mais contrutivos, para se reeducar.
    De nada adinada reprimir, quanto mais se reprime que as coisas vão piorar. As mediads devem começar pelo governo. Porque eles tem direito de estacionar em calçada e os demais cidadão não? Porque um guarda municipal, pode em horario de expediente ficar de papo com camelo, e outras coisas piores que prefiro não mencionar? porque um gari da Comlurb pode olha para um lado e para o outro para ver se ninguem ver encher um bueiro de folhas? porque uma autoridade máxima pode transgredir leis de transito e os demais não? porque uma patrulha da PM pode avançar sinal, sem nenhum motivo, pois não havia perseguição?
    O que os que trabalham nos governos tem de diferente do restante dos municipes? Nada. São todos cidadão, e como cidadão devem ter direitos e deveres.
    Agora cá pra nós falso moralismo numa hora dessas não cola. Se quer mudar os habitos, convoca a imprensa, os clubes de serviço, as associações, escolas, igrejas. E faz uma ampla campanha de reeducação.
    Tem também o problemna da falencia da familia tem gente que não gosta de tocar nesta questão, são moralistas, mas na hora de empregar a maoral em casa, para se construir um bom cidadão, preferem assistir BBB, ou tomar uma cerva com amigos, do que um bom papo com os filhos.
    Os problemas de ordem e cidadania, estão marcados na cultura do brasileiro, e não tem classe, credo, cor e status. São 90% pessoas que dizem uma coisa e fazem outra.
    Quer mudar as coisas começa-se pela educação. Isso muda um país, uma cidade, uma rua e um cidadão.
    Agora falso moralismo não cola.
    Deixo uma pergunta, que serve para todos, nós 6 milhões de cariocas. Quem é 100% correto e cumpri as regras todas? Você cumpri? Será que as autoridades cumprem? O exemplo dos bons costumes devem começar pelos que tem a ordem, mas esses infelizmente, são falsos moralistas.

  • Dado

    André, eu também aprendi Moral e Civica no colégio. E mais do que isso, além do principio da equidade eu aprendi que não é porque um faz errado que todos deverão fazer. Se vc.acha, e com razão, que o governador deva ser punido, lute para que ele seja punido mas não justifique seus erros pelos erros dos outros. As autoridades que deveriam dar o exemplo não dão, isso é certo, mas tão certo tb quanto o principio básico de qualquer civilidade: seu direito acaba quando começa o do outro.
    Vc.me pergunta se eu cumpro todas as regras e me coloca como falso moralista. Pois vou te falar, eu tento sempre cumprir as regras. Pago meus impostos, não jogo lixo na rua, não compro produto pirata. Posso ter errado sim, e quem nunca errou? Mas inconciente. Sempre tive, porém, a hombridade de reconhecer meus erros e nunca joga-los nas costas dos outros e apontar que eu errei porque fulano errou primeiro. Isso não é falso moralismo, isso se chama caráter e isso não se aprende na aula de Moral e Civica, se aprende em casa.
    Eu, ao contrário de você luto para uma cidade melhor, que todos possam andar tranquilamente pelas ruas, porque a vilência não se resume só a tiro. A violência está instalada quando vc.passa a não ter mais seus minimos direitos respeitados, como as pessoas que moram no Baixo Gávea perderam há muito o direito de dormir por causa da balbúrdia que lá se instalou. Perderam o direito de andar pela calçada porque existem pessoas que não acham nada demais colocar mesinhas lá. E isso André, eu aprendi na aula de Moral e Civica que o senhor deve ter faltado. E de novo, isso não é falso moralismo, é respeito pelas pessoas.
    André, vc.falou a coisa mais certa do mundo. Para mudar as coisas, tem que se começar pela educação. Coisa que infelizmente nosso povo ainda não tem, e ai que entra a repressão. Te dou um exemplo, as mesmas pessoas que andam pelas ruas e jogam lixo, no shopping não o fazem. Porque? Porque sabem que dentro do shopping serão punidas. Nossa sociedade precisa avançar e muito para que somente a educação possa resolver os nossos problemas. E se não começar em cada um de nós isso nunca se tornará real, pois nós fazendo a nossa parte, ai sim teremos condições de exigir que os governantes façam a parte deles.

  • http://diariodorio.com Quintino Gomes (Editor)

    Raul,
    além de Paris, em Madri, Buenos Aires, Lisboa também tem a mesma coisa… mas é claro, lá são lugares selvagens!

  • André Delacerda – Diário do Rio

    Dado, “eu ao contrario de você luto por uma cidade melhor” essa frase que você afirma sobre a minha pessoa, é uma afirmação errada, só porque você defende o tal “Choque de Ordem” e eu sou contra aos exageros (grifo essa palavra em negrito – exageros) não quer dizer que eu não lute pelo melhor na minha cidade.
    Eu não estou defendendo que as pessoas façam errado, só defendo que as coisas sejam feitas pelo principio da equidade, se vamos demolir um bar que avança na calçada, o que concordo que é algo que não deveria ocorrer, devem demolir então as dezenas de outros bares que também avançam na calçada.
    Quando questiono que moral tem uma autoridade para cobrar, não quero justificar meus erros, mas sim, dizer que o exemplo deve começar de cima. Imagina como exemplo, um chefe de familia que prega moral exacerbadamente, mas quando dar as costas a familia, vai a Gloria pegar travestis, ou vai a uma casa de prostituição, é o mesmo não? Se a autoridade quer pregar moral, deve se a primeira a cumprir as regras.
    Apontar o erro de uma autoridade que deve dar exemplo não é falso moralismo, não estou querendo dizer “há porque eles fazem, o cidadão tem que fazer”. Mas estou chamando atenção no comentario para a situação que deve ser a seguinte, se um tem que seguir as regras os demais (e deve), do qual faz parte a autoridade também tem que seguir (todos nos temos que seguir regras).
    Pelo que me lembro, até quando eu frequentava o Baixo Gavea, não faz muito tempo atrás, as segundas, quando dava meia noite, os bares fechavam. Chegava um carro uma patrulha da policia, e as pessoas começavam a sair. Creio que havia um acordo. Havia se não me engano um acordo para que a hora de funcionamento não ultrapassasse a meia noite (o que concordo plenamente). Se não estam cumprindo isso, que o acordo seja refeito com os bares, garanto que os frequentadores certamente irão cumprir como o faziam. Um acordo entre a associação de moradores, os bares e quem cuida das postura limitando o horario não deve ser dificil de fazer.
    Ia me esquendo, no seu comentario, você errou na sua afirmação que devo ter faltado a alguma aula de Moral e Civica. Pois não faltei.
    Em uma coisa nos concordamos a educação é a chave de tudo. Mas repressão, discordamos. O que adianta reprimir uns e deixar a bandalha correr solta para outros. Cade a equidade?
    Se vamos demolir uma casa na favela. Então vamos demolir a favela todo, se é ilegal, porque uma só? Se vamos restringir o horario de funcionamento em areas onde o IDH é alto, porque não o fazemos em áreas onde o IDH é baixo? (so vamos cuidar de quem tem mais?) Se vamos rebocar carros na calçada, vamos rebocar todos, mas todos sem excessão, inclusive a patrulha da GM obstrui a calçada, que ficou para pedestres. Se vamos demolir o puxadinho de um bar, vamos demolir todos, todos mesmo, inclusive de apadrinhados.
    Quanto ao lixo, reprimir não vai ajudar, só com medidas educativas, e isso com a ajuda da mídia, certamente se resolveria.
    Se a mídia tem capacidade de fazer uma lavagem mental nas pessoas para comprar tal produto, para fazer com que as pessoas assistam compulsivamente programa A ou B (do qual listo aquela coisa chamada BBB). Porque não o governo se utilizar de tais ferramentas para conscientizar a população? Essa sim é a medida certa. Educação. Se não começarmos com medidas edicativas hoje, amanhã estaremos mais uma vez, com o mesmo papo, há nosso povo não é educado. É claro, porque medidas educativas são sempre deicadas de lado, e prefere-se algo que chame mais atenção, supostas ações coreografas para dar midia.

  • André Delacerda – Diário do Rio

    Quintino,
    Sobre cadeiras e mesas na calçada, principalmente cadeiras, você me lembrou um habito do interior, e eu que nasci no interior lembro-me desse bom habito, as pessoas sentavam nas frentes de suas casas com cadeiras a noite ou a tardinha, era uma festa isso, maior amizade, congraçamento, bom papo. Tempos bons…

  • Bruno Sereno

    Fico rindo aqui com esses exemplos de países que vocês dão …
    Tirando Madrid, Paris é um dos lugares mais perigosos da europa, diversos atentados diários, estrangeiros sendo deportados a força, carros queimados e afins, buenos aires então como um país latino eu ignoro como exemplo, Lisboa como parte do país mais atrasado da europa e colonizador do Brasil, podemos entender os porquês.
    E uma coisa eu tenho certeza, mesmo que esses países o façam de tal forma como falam, duvido que seja de forma desorganizada e sem ordem como aqui a ponto de você não poder passar na calçada, como já vi em filmes, existem cercadinhos de plantas e afins para delimitar um certo espaço, mas aqui a ganância fala mais alto, em breve, o Rio ficará do jeito que vocês gostam, samba as 2 da manhã e mesas e cadeiras até metade da rua …
    Vai entender …

  • Luis

    Ordem é ordem e ponto final. Infelizmente o povo da cidade maravilhosa nao esta acostumado com isso e só quer saber de reclamar.
    Repressao funciona, vá a Cingapura e tente jogar um chiclete ou urinar na rua. As pessoas de lá sao seres humanos melhores, claro que nao! So que as consequencias doem muito no bolso, isso quando nao resultam em cadeia.
    A ilegalidade tem que ser combatida, passo a passo. Não existe esse maniqueismo de ou deixa tudo ou derruba tudo de uma vez com uma bomba. E se for para ficar esperando um politico com autoridade moral para comecar a resolver os problemas da cidade, vamos esperar até a volta de Jesus. :P

  • Rita Troncoso

    Que absurdo!
    Não tem uma notícia sobre a ação descabida da tropa de choque no baixo gávea no dia da comemoração do hexa do Flamengo?!
    Os torcedores, turistas, enfim, todos levaram tiros de bolas de borracha e gás lacrimogêneo pra completar!
    Choque de ordem?
    Para mim isto é repressão e fere os direitos humanos.

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