04/09/2009

Como será o Rio de Janeiro em 1950 – Cruzeiro de 1928

RiodeJaneirode1950 thumb Como será o Rio de Janeiro em 1950 – Cruzeiro de 1928 A Revista Cruzeiro em 1928 fez algumas previsões para o futuro do Rio de Janeiro, um futuro que já é um passado distante para nós, como seria nossa cidade em 1950. As previsões seriam do Professor Agache, que teria viajado no tempo e visto o “Rio de Janeiro do Amanhã”.

 

Veja algums trechos que acertaram e outros que erraram.  Leiam todo o artigo no Blog do Guilherme:

Eis porque o projecto em elaboração cogita já das ligações que um dia terão de ser feitas entre o Rio e Nictheroy, entre o Rio e a Ilha do Governador, ligações intelligentemente articuladas, que com as avenidas largas, verdadeiras arterias, que se estenderão até aos suburbios extremos da cidade e as grandes ruas que communicarão os arrabaldes e bairros entre si.


Em frente á barra da Guanabara, no terreno que se conquistará ao mar pela rectificação do incongruente sacco da Glória, ficará a praça monumental – vestibulo sumptuoso da cidade – reservado ao desembarque das grandes personalidades que aqui aportarem e naturalmente destinado ás manifestações, comicios e demonstrações do povo por se tornar o logradouro de maior area e o principal centro da metropole.

 

Maravilha de architectura, banhada na luz de projectores occultos, esta praça terá a forma de U retangular com a abertura voltada para o Oceano, descortinando e ao mesmo tempo compondo as mais variadas e encantadoras perspectivas.

 

Tomando o centro da linha do fundo, a avenida Rio Branco dahi partirá, imponente, com exacto prolongamento do eixo da praça.

 

RiodeJaneirode1950II thumb Como será o Rio de Janeiro em 1950 – Cruzeiro de 1928 Uma nova e larguissima rua, formada pelo prolongamento do actual canal do Mangue, cortará perpendicularmente a Avenida Rio Branco, indo até ao mar, no cáes da antiga Alfandega. E se estenderá no seu sentido opposto, transpondo, sempre com a mesma largura, os bairros e suburbios que ficam além da Praça da Bandeira, para penetrar nas regiões aonde a cidade, livre do contraforte das montanhas e da barreira do mar, rapidamente se despeja e se desenvolve.

 

Essa rua passará deante da Estação Monumental a se construir nas proximidades da Praça da Bandeira, e que colherá, em um só feixe, todas as estradas de ferro que servem ao Rio: Auxiliar, Rio d’Ouro, Leopoldina e Central do Brasil.

 

Será a mais larga, a mais longa e mais movimentada avenida de nossa Capital, rasgada do mar até á zona dos suburbios, pondo assim estes em communicação directa com o centro da cidade.

Correndo quasi parallelamente é actual Avenida Mem de Sá, e prolongando-se além desta uma outra ampla e bella avenida virá entroncar-se com a precedente, no ponto fronteiro á referida Estação Monumental.

 

Receberá deste modo o centro ferroviario uma via publica de grande proporção, ligando-o aos bairros de Botafogo, Leme, Copacabana, Ipanema, Gavea e Laranjeiras.

 

Encurtando as distancias entre os bairros, varias outras ruas serão abertas, algumas transpondo pequenos tunneis ou cortando fraldas de montanhas, inteiramente desimpedidas para o trafego rapido e frequentemente offerecendo seductores aspectos da privilegiada natureza que é o orgulho e a alegria de nossa gente.

 

Mas o Rio de Janeiro de amanhã será tambem o recreio e a ventura dos forasteiros que desejem nutrir o espírito e encher o coração.

 

Será o grande orgulho do Brasil e a mais linda metropole do mundo.

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Categorias:
Curiosidade, História, Rio de Janeiro

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  • doug

    Caramba……. como seria linda essa praça em U…. rio x mahatan… lindo lindo . que visão ele tinha….. Quase tudo se concretizou

  • http://asruasdorio.blogspot.com Pedro Paulo Bastos

    Mais interessante ainda do que o texto e as previsões, eram as normas ortográficas e gramaticais da época. Muito bonito ver a evolução da nossa língua e as suas devidas modificações. Um barato!

  • http://www.gabrielsperandio.com Gabriel Sperandio

    E aí? Algum parque ao longo da Rio Branco eles iriam prever?

    De resto, todas as previsões seguiram a lógica… Em outros pontos, a história fugiu à lógica. Fora uns pontos em que as realizações faltaram mesmo… Mas bem realista no todo.

  • http://www.gabrielsperandio.com Gabriel Sperandio

    Vale lembrar que lá está citado o plano Agache. O Agache aloprou nuns poucos pontos, onde ele mantinha menos do que deveria o patrimônio histórico, mas deu ao Rio um plano urbanístico que permite uma boa organização do espaço.

    O plano não pôde ser executado no todo, principalmente por questões políticas. O Estado Novo acabou entendendo que aquele plano era República Velha. As obras foram sendo feitas pontualmente ao longo do tempo. Assim como a Avenida Presidente Vargas, a linha 1 do metrô, a derrubada do morro de Santo Antônio etc.

    Isso demonstra que no fim das contas, planos urbanísticos funcionam melhor quando todas as alterações são encadeadas. Fora isso, haverá necessidades pontuais surgindo e então as necessidades pontuais sendo atendidas em função da demanda que o urbanismo provoca.

    Eu sempre atravesso a Rio Branco olhando para o lado. Os sinais são sincronizados e é uma cena estupenda típica de cidade grande vários veículos parados e a população atravessando as várias faixas da via. Não adianta, como o prefeito propões apenas desvias os ônibus da Rio Branco. Se quiser fechar aquela, tem que abrir outras. O trânsito é completamente encadeado e a circulação segue a lógica.

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