13/02/2010

Breve História da Escolas de Samba por Cesar Maia

CesarMaia thumb1 Breve História da Escolas de Samba por Cesar Maia Em sua coluna Folha de São Paulo o ex-prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (DEM) dá um tempo na política e conta um pouco da história das Escolas de Samba.

 

Vale a leitura, não importando suas cores políticas. Outro texto que está excelente é o de Ruy Castro sobre o Leblon que se antes não tinha nenhum bloco já tem hoje vários.


CESAR MAIA: ESCOLAS DE SAMBA!

 

  AS RODAS DE SAMBA do Rio, no início dos anos 30, eram discriminadas como caso de polícia, por estarem dentro de favelas e pela proximidade com o jogo do bicho. O plano Agache (arquiteto francês que cunhou "urbanismo") para o Rio (1928-32) considerava as favelas provisórias.

 

      Pedro Ernesto (1931-36) foi o primeiro prefeito a subir uma favela. E institucionalizou as rodas de samba. A legislação não permitia subsidiá-las. Pedro Ernesto pediu que todas elas mudassem o nome para uma nomenclatura comum: Grêmio Recreativo Escola de Samba…. A adoção do termo "escola" permitiu a Pedro Ernesto subsidiá-las, e elas passaram a contar com recursos públicos para o seu desenvolvimento. O primeiro desfile oficial, com julgamento, foi em 1935.

 

      Vencido pela Portela, teve como porta-bandeira uma menina prodígio: Dodô. Dodô, com seus 90 anos, está viva, ativa e lúcida e mora no morro da Providência.

 

      Os desfiles nos carnavais eram basicamente uma apresentação da classe média, com os corsos, os ranchos e as alegorias. O Carnaval incluía enorme diversidade de expressões, como o frevo, o maracatu, as pessoas fantasiadas nas ruas, os blocos de sujos, o concurso de fantasias, os bailes nos clubes e nos teatros…

      No início dos anos 60, com a entrada da equipe de Fernando Pamplona no Salgueiro, iniciou-se um processo de radical transformação dos desfiles. O samba enredo era sincopado, os passistas desfilavam soltos, sem alas agrupadas, não havia carros alegóricos, os destaques desfilavam no chão…

 

      A partir daí, as demais expressões do Carnaval começaram a ser incorporadas às escolas de samba e foram desaparecendo. Assim foi com os superblocos (Bafo da Onça, Cacique de Ramos), que rivalizavam com as "escolas". Corsos, ranchos, fantasias de luxo e alegorias passaram a integrar os grandes carros alegóricos. Os enredos históricos foram abertos.

 

      As "escolas" passaram a desfilar como ópera popular (alas e seus carros como atos, coro dos que desfilam, os atos móveis, apresentados na frente da plateia num auditório latitudinal).

 

      Com a ascensão de Joãozinho Trinta (da equipe de Pamplona, depois na Beija Flor), as "escolas" ganham a característica que têm hoje. As alas desfilam agrupadas como blocos. O samba-enredo passa a ser samba-marcha. E se invertem os papéis. Antes, os corsos, onde o povo olhava a classe média desfilar. Agora desfila o povo, e a classe média assiste.

 

      A venda de ingressos, nos dois dias de desfile e das campeãs, equivale a três anos de venda de ingressos no estádio de futebol brasileiro que mais fatura.

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Categorias:
Carnaval, Cesar Maia, Escola de Samba

Comente!

  • http://flickr.com/photos/claudiolara Claudio Lara

    Só para somar informação…

    O primeiro concurso de Samba entre Escolas aconteceu em 1929 e teve como vencedor a Portela. Não houve e nem foi um desfile nos moldes dos que acontecem hoje.

    Aconteceu no Engenho de Dentro na Rua Adolfo Bergamini, rua que hoje abriga a Escola de Samba Arranco do Engenho de Dentro.

    O bairro tradicional no samba tinha, e, ainda tem a Chave de Ouro, local de grandes festas carnavalescas.

    Era no Engenho de Dentro também que se abria e fechava – não oficialmente – o carnaval. No Sábado pela madrugada desfilava o Bloco da Alvorada e na quarta-feira de Cinzas existia o famoso Bloco da Chave de Ouro, proibido pelos governos da ditadura e pelos governos sempre a pedido da igreja e que sempre acabava em confusão por causa da proibição policial.
    No governo Brizola a ordem foi não reprimir mais o bloco e com o Desfile das campeãs no Sábado das Campeãs tirou o gosto de encerrar o carnaval e dizem que o bloco perdeu a graça por não ser mais proibido.
    Histórias cariocas.

    • Elisa

      Claudio, pelo que eu sei o Zé Espinguela dividiu o prêmio entre as três escolas (Mangueira, Vai como pode e Deixa Falar). Exatamente porque rolava esse comentário de que a Vai Como pode Ganharia e o Ismael estava furioso com isso. Ainda mais porque o samba “ganhador” seria o do Heitor dos Prazeres, cria do morro do Estácio.

Destaque

Abre Cidade da Música Abre Cidade da Música - Já poderia estar funcionando há 3 anos e continua parada, fechada por picuinha política.

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