29/01/2008

A polêmica sobre o Carro Holocausto da Viradouro

paulo barros carnavalesco da viradouro thumb A polêmica sobre o Carro Holocausto da Viradouro A Viradouro terá no seu desfile o Carro Alegórico Holocausto em que esculturas de homens e mulheres mortos representariam os judeus que morreram nos campos de concentração nazista durante a II Grande Guerra. O carro fechará uma ala em que mostrará o mal que o ser humano pode fazer ao outro, terá decapitados, eletrocutados, enforcados e queimados. O tema da Viradouro esta ano é “‘É de Arrepiar”e vai falar sobre as sensações boas e ruins que causam arrepios. O enredo foi sugerido por Paulo Barros, carnavalesco da escola.

É óbvio que quem não gostou nada desta representação do Holocausto disso foi a FIERJ (Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro), pois para o presidente da FIERJ, Sergio Niesker, a alegoria podia não ser bem entendida pela população. E tenho de concordar com ele! Ainda há muitos sobreviventes dos campos de concentração, e mesmo entre outros judeus o acontecimento é recente e não combina bem com a alegria do Carnaval.

Acredito ser de extremo mau-gosto usar o Holocausto para tentar divertir as pessoas, a opinião do carnavalesco que o objetivo é fazer as pessoas refletirem, simplesmente não combina com o momento de um desfile! E se for para refletir e ficar triste, que é o mínimo que se pede, não é algo que se deva esperar de uma época de alegria que é o Carnaval.

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Carnaval, Opinião carioca

Comente!

  • Leonardo

    Só uma correção: o enredo da Viradouro se chama “É de Arrepiar”, e não “Vai Arrepiar”, como consta na postagem.

  • http://diariodorio.com Diario do Rio

    Leonardo,
    obrigado, foi corrigido.

  • André

    Sou Imperio Serrano, mas o Paulo Barros tem ideias geniais, só não é bem compreendido pelos jurados.

  • Ruan

    INOVAÇÃO TEM LIMITES!!!!!!!
    Em momentos em que paramos para refletir o motivo pelo qual o carnaval carioca sofreu forte declínio frente à festas como a de Salvador,uma das razões se faz aparente:a forma como as escolas decidiram conduzir a alegria vêm colocando um ponto final no desejo de cair em profunda felicidade descompromissada.
    Deixe-me explicar através de um exemplo:há poucos anos atrás,a Beija-Flor realizou um desfile em que uma ala atravessou toda a “passarela do samba” de cabeça baixa e com lágrimas nos olhos.Lembro que vários entusiastas da beleza das Escolas fizeram elogios mil àquela cena;porém,quem parou para pensar um pouco no reflexo da imagem transmitida chegou à conclusão de que qualquer brasileiro sensato iria se desinteressar pela folia carioca,afinal,enquanto os trios elétricos baianos,o frevo de recife,ou mesmo as repúblicas estudantis de Ouro Preto mostram toda a empolgação que esperamos um ano inteiro para viver,as agremiações do Rio de Janeiro decidiram teatralizar o evento.
    É claro que isso não afeta o turismo internacional(pelo contrário),mas brasileiro de alma e coração gosta é de agitação,euforia.O resultado da encenação que nossos carnavalescos vêm promovendo é uma significante queda de interesse dos nossos compatriotas pela nossa festa.Fora do Rio é comum ouvir: “Carnaval mais bonito do Brasil é o do Rio,mas festa boa mesmo é a de…”…Devemos culpar os que pensam assim por ignorar este momento que amamos tanto?!É claro que não!Em certo ponto eles têm razão:concordo que é lindo ver as alas coreografadas ou aqueles carros vivos, experimentados com muito sucesso por Paulo Barros,que hj nos traz o holocausto para a “Avenida”,mas o que faz nosso coração pulsar diferente no carnaval é a liberdade de se divertir.A cada nova invenção reflexiva como a atual,a cidade tem a perder em divulgação nacional,pois teatro encontramos durante todo o ano,mas comemoração momesca acontece durante alguns poucos dias.
    Para os próximos anos só gostaria de ler notícias de que o carnaval carioca busca novamente a essência alegre dos foliões,sem torná-los apenas em marionetes de bailarinos,ou mesmo fazer do público espectador reflexivo de horrores que nos assombram rotineiramente.
    Salve o carnaval carioca!!Não existe lugar melhor que o Rio de Janeiro,mas precisamos voltar a divulgar o quão feliz e paradisíaco é este lugar,o nosso lugar.

  • http://diariodorio.com Diario do Rio

    Ruan,
    me permita fazer uma correção, mas o carnaval de rua carioca tem, nos últimos anos, tendo um upgrade incrível. O que vem causando que os blocos mais tradicionais invente horários para que não entupa de gente… Blocos como Suvaco de Cristo, Banda de Ipanema e por aí vai…

  • André

    O Carnaval de rua carioca tem crescido bastante e temos a população voltando as ruas com os blocos.

    Quanto as Escolas de Samba são um show a parte, espetaculo, não classifico tanto como carnaval, mas sim como espetaculo, dentro do carnaval carioca.

    Carnaval é algo espontãneo e nas ruas. Recife é bem espontâneo, Salvador já virou muito comercial a muito tempo. Quem manda é o patrocinio e os abadas. E a criatividade musical caiu em muito. Lembro que todas a grande maioria dessas musicas badaladas do axé são de 15 anos atrás, quando realmente se teve uma onda de criatividade fantastica. Agora como badalação, Salvador é bem animado 2 milhões nas ruas sim faz a diferença.

    Se com o passar dos anos, a população carioca for as ruas mais e mais, e os blocos forem nascendo com essa força, teremos um forte carnaval de rua e já estamos tendo.

    Agora cada cidade tem sua caracteristica, o Rio (samba e marchinhas), Salvador (abadas e axé), Recife-Olinda (frevo na rua). O bom é essa diversidade.

  • Gelder Guerreiro

    Acredito ser de extremo mau-gosto usar o Holocausto para tentar divertir as pessoas, a opinião do carnavalesco que o objetivo é fazer as pessoas refletirem, simplesmente não combina com o momento de um desfile! E se for para refletir e ficar triste, que é o mínimo que se pede, não é algo que se deva esperar de uma época de alegria que é o Carnaval. [2]

    Refletir carnavalesco? Fala sério! Péssima desculpa para a idéia equivocada…

  • Claudio Lara

    Também achei de mau-gosto o uso deste carro. A Escola e as arquibancadas estarão cantando e ao passar esse carro, muitos pararão ou diminuirão o tom do canto.

    Acho justo a reclamação da comunidade judaica, mas também um absurdo o que andei vendo de críticas na Tv, onde inflam as críticas com coisas que não irão acontecer. Dizem que haveria mulheres dançando no carro alegórico, encenação, etc.
    O carro é sem destaques, coreografias e mulheres – como Paulo Barros fez um no ano passado. É um carro crítico e referente ao enredo a tudo que causa “arrepios”.
    A Viradouro vai falar dos arrepios do frio até o terror dos filmes, passando e claro pelo assunto tratado no carro. Ano passado a Tijuca levou um carro lembrando a famosa foto da garota correndo da bomba no Vietam e de outra capa da Times de uma garota palestina e ninguém falou nada. Enredos lembrando o extermínio e a diáspora africana da época da escravidão vivem sendo lembradas no sambódromo e ninguém cria ou inventa polêmicas em cima disto.

    Acho um absurdo também a comunidade judaica ter a pretensão de tomarem para si a exclusividade da palavra holocausto. O extermínio nazista não era exclusivo de jud’us, mas também contra todos ciganos, deficientes, homossexuais, eslavos, …

    A palavra holocausto já existia e seria praticado até pelos jud’us segundo livros sagrados e mencionado em artigo no Wikipédia:

    “Este tipo de sacrifício também foi praticado por tribos judaicas, como se evidencia no Livro do Êxodo capítulo 18, versículo 12: Então, Jetro, sogro de Moisés, trouxe holocausto e sacrifícios para Deus; (…).”

    Estive no Barracão da Viradouro e vi os carros alegóricos deste ano e surpresas que não foram mostradas ainda na tv. A Escola com certeza não ganha em 2008 e duvido muito que chegue no desfile das campeãs. Ela vai desfilar com o pior samba do ano, os desfilantes sentem que o samba não é bom prejudicando a harmonia e evolução, e, nem a bateria vai aparecer com uma bossa boa como a do ano passado.

    No final dirão que a Viradouro não ganhou por causa deste carro e desta polêmica.

  • Claudio Lara

    E o carnaval do Rio continua bombando cada vez mais. Na Sapucaí cabem 80 mil pessoas por dia, mas fosse para 800 mil venderiam todos os ingressos também.
    Além do maior espetáculo da Terra, temos maravilhosos blocos desfilando por todo Rio de Janeiro e com músicas que fazem sucessos durante décadas e não esquecidas no ano seguinte.
    Eu prefiro o carnaval do Rio, que é mais variado, democrático, cultural, menos comercial, sem a promiscuidade de beijar dezenas de pessoas e muito melhor para se divertir assistindo ou pulando nos blocos.

  • Elton

    Falar que é homenagem?! O carro é com gente morrendo, dá para imaginar a cabeça dos sobreviventes e dos parentes? !!! É igual colocar uma carro alegórico arrastando um menino dizendo que é uma homenagem ao menino morto no Rio (Hélio). Esse é o grande problema do brasileiro: Inversão de valores!

  • Mônica

    Então? Censura no Carnaval?

  • http://diariodorio.com Diario do Rio

    Mônica,
    não é censura, pense só, o carro do holocausto representa o massacre da família de muita gente, você gostaria de ver representação dos cadáveres de sua família com gente dançando em volta?

  • Alessandra

    Achei muito justa a proibição. Um abuso esse carro. como falar de uma tregédia sambando pela aveninda ?!?!?!? Sem noção !!!

  • Ana Paula

    Gente!!!! Não sou contra nem a favor… Mas cadê a LIBERDADE de expressão???? Respeito o sofrimento dos familiares das vítimas e sobreviventes dessa tragédia, mas concordo com a colocação do oitavo comentário, que afirma que a comunidade Judaica tenta tomar para sí a exclusividade da palavra “Holocausto”, tendo em vista que não foram somente os Judeus que sofreram com o nazismo em todo o mundo. Acho isso tudo uma questão de ponto de vista, de como enxergar as coisas, carnaval é alegria sim, mas não podemos deixar de ressaltar que o desfile das escolas de samba é um espetáculo único no mundo, palco há muitos anos de protestos, reflexões e homenagens. Outras escolas já usaram esse tipo de abordagem histórica, com outros fatos marcantes, que ao meu ver nada mais é do que uma forma de homenagem aos que sobreviveram e aos que se foram, e o que representou pro mundo o fim do Nazizmo. Por diversas vezes ví escolas colocarem como tema a escravidão, época tão terrível quanto o Holocausto, e não me lembro de ter visto ninguém embargar por considerar um abuso ou desrrespeito… Sabe o que considero um abuso??? Um desrrespeito??? A justiça se pronunciar a isso com tanta precisão e rapidez, em meio a tanta discrepância de acontecimentos mais importantes e urgentes, aguardam a lentidão da justiça a serem solucionados nesse país, isso sim eu considero um despautério absoluto disperdiçar tempo com isso…
    E concordo com o sexto e nono comentários, quando dizem que o carnaval de Salvador é puramente comercial e ao meu ver com muita promiscuidade, e por isso fica mais restrito ao público mais jovem e solteiro. Já quem curte sair com seu companheiro(a)nesses dias de folia, sem dúvida nenhuma o Rio tem um monte de opções pra se curtir acompanhado e pra quem não quer ficar sozinho. Afinal Bloco, Marchinha e Sambódromo, o Rio dá um banho em qualquer lugar!!!!

  • Wânia

    Mostrar um carro alegórico sobre o ”holocausto”, não significa desrespeito, e sim uma forma de mostrar a atrocidade de Hitler…É uma expressão através da cultura, o carnaval, tornou-se um historiador com seus enredos…Mostrar Tiradentes na forca não fere os brasileiros? Sua morte foi menos cruel? A arte é expressão do belo e também da tristeza…A indústria de filmes norte americana usa o tema ”holocausto” e nunca foi quetionada.

  • Anonima

    Mas as escolas de samba ja nao apresentaram o sofrimento dos negros em senzalas, navios negreiros e tal? Nunca vi polemica sobre isso…

  • Calio

    O desfile de 2008 foi ” criativo “, merecia ser campeã…mas preferem a monotomia chata( minha opinião) da beija – flor…..

    eta coisa ruim….

  • VANESSA

    ADORO A BEIJA FLOR, DEVERIA DE SER A CAMPEÃ!! COMO SEMPRE …
    UM LUXO DE ESCOLA E CRIATIVA!!

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