19/05/2009

A centralidade cultural do Rio de Janeiro

Hoje o ex-prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, através de seu ex-blog fez comentários sobre alguns acontecimentos que atingiram a centralidade cultural do Rio de Janeiro.

Vale a pena ler, tanto quem gosta de Cesar Maia como quem não gosta.

 

semanadeartemodernade22 thumb A centralidade cultural do Rio de Janeiro O RIO E OS FATOS QUE ATINGIRAM SUA CENTRALIDADE CULTURAL!

1. A centralidade cultural que o Rio deteve por muitas décadas começou a ser atingida com a semana de arte moderna de 1922, quando por circunstâncias adjetivas foi para SP. Anos depois, essa mesma centralidade sofreu outro golpe com o fechamento da Universidade do Distrito Federal, criada por Anísio Teixeira e Pedro Ernesto. Nomes como Cecília Meireles, Hermes Lima e Candido Portinari foram perseguidos. Candido Portinari migrou para SP, onde depois foi candidato a senador.

2. Com o término da Segunda Guerra e as obras de arte na Europa a preço da bacia das almas, Chateaubriand passou o pires aos empresários brasileiros. Praticamente só os de SP apoiaram e estas obras de arte passaram a ser o acervo do MASP, criado.

 

3. Mas o Rio, de baixo para cima, através da cultura popular com o Samba, com seus desdobramentos por setores médios com a Bossa Nova, ou a partir do CPC da UNE que abriu espaços para o Cinema Novo, reagiu e forçou novas centralidades. Com o regime autoritário e seu foco no Rio, outra vez a cidade foi debilitada como centro cultural.

 

4. A experiência internacional indicava que a recuperação da centralidade cultural exigia equipamentos de alta qualidade que cumprissem esse papel aglutinador. Um exemplo mais recente foi o Museu Guggenheim de Bilbao. Com isso, na campanha eleitoral de 2000, a associação do Rio à Fundação Guggenheim foi apresentada como programa de governo e aprovada pelo eleitor carioca.

 

museuguggenheimriodejaneiro thumb A centralidade cultural do Rio de Janeiro3. Em 2001 iniciou-se o processo de contratação com a Fundação Guggenheim, culminando com os estudos para que o Museu, centrado em Arte Contemporânea, pudesse cumprir o papel de retomar para o Rio a centralidade em artes plásticas contemporâneas. E revitalizasse como âncora a área portuária. Assinado o contrato em NY, com a presença de toda a imprensa relevante dos EUA, iniciou-se o processo. O consagrado arquiteto francês, Jean Nouvel, desenhou o projeto básico. Mas uma forte pressão de parte da imprensa estimulou uma oposição política e finalmente o projeto, que já estaria pronto hoje, foi obstruído no judiciário.

 

4. De forma a não passar por provocação, a ideia matriz permaneceu, mas um Museu de Artes Plásticas foi substituído por um Centro de Artes Musicais, depois Cidade da Música. Um arquiteto consagrado em projetos desse tipo -Christian Portzamparc- foi chamado e assumiu o desafio. Nasceu a Cidade da Música. Com o projeto pronto e os investimentos restando apenas 4 meses, o processo eleitoral assumiu a crítica demagógica. Outra vez parte da imprensa assumiu para si a função de criar opinião pública contra o projeto. E mais uma vez um projeto que recuperará para o Rio a centralidade em artes musicais sofre um processo de obstrução com prejuízos enormes para a Cultura do Rio.

 

cidadedamsica thumb A centralidade cultural do Rio de Janeiro5. Enquanto isso, em SP constrói-se o Museu da Língua Portuguesa, de alta qualidade e sofisticação. E o Museu do Futebol, da mesma forma. Em Vitória um Centro Cultural Múltiplo, da mesma forma. E o Rio mais uma vez é atingido por interesses menores e eleitorais (2010), prejudicando a marca de identidade de nossa Cidade. E… La Nave Va!   

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Cesar Maia, Cidade da Música, Cultura, Destaque, Ex-blog do Cesar Maia, Rio de Janeiro

Comente!

  • Elesbão

    Ah, demagogia.
    .
    O Museu da Língua Portuguesa e o do Futebol, sabemos, custam uma fração do que se propôs para o Museu e para a Sala de Concertos – ops, consertos.
    .
    Mas, naturalmente, equipamentos públicos serão sempre necessários. O problema é que os políticos são os autores.
    .
    E a Semana de 22 é em grande parte marketing. Tivesse o antigo Alcaide estudado um pouco mais, saberia que, anos depois, houve um salão mais representativo e pouco divulgado, aqui no MNBA. Quem gosta do Rio, sabe.

  • Alexandre

    Que papo estranhissimo esse de centralidade. Por acaso o prefeito acha que o Rio é alguma terra abençoada e por isso merece ser o centro de alguma coisa? O Rio é uma cidade grande, rica e tem algumas partes muito belas, mas, e daí?
    O prefeito demonstra uma “centralidade” de pensamento muito grande.
    Dizer que a derrocada cultural do Rio ocorreu em função de São Paulo é uma grande bobagem. São Paulo é o que é, é uma cidade mais rica e isso facilita um pouco mais as coisas…e ponto. Rio, São Paulo ou qualquer outra cidade tem problemas com disputas políticas, isso é da democracia.
    Uma cidade não é mais “rica culturamente” porque alguém abriu uma torneira de dinheiro e se construiu um museu ou um centro cultural. A riqueza cultural de alguém vem do seu interesse pela cultura, pelo desenvolvimento e preservação dela. E esse interesse emana sobretudo do povo. Talvez o prefeito deveria voltar mais seus olhos para aquelas escolas da periferia, ao invés de sonhar com o Guggenhein.

  • roberto

    “e finalmente o projeto, que já estaria pronto hoje”. só o que foi gasto, milhões, sem estar pronta a Cidade da Música daria pra fazer quantos projetos sociais pra minimizar a miséria de parte do povo?! duvido que o gugenheim estaria pronto! la nave vá…

  • Mariana Vasconcelos

    Esse Elesbão quer saber tudo.

  • http://www.artezanalnet.com.br/ Emerson

    Concordo, deveria dar mais atenção a periferia!

  • Leandro

    Sou engenheiro e cada vez mais tenho vergonha de ser carioca, quem dirá ser brasileiro!!
    Adoraria um dia poder ouvir as palavras de quem projetou a cidade da música! Adoraria ouvi-lo falar besteiras, mas na verdade me sentiria menos pior se o mesmo pudesse dizer que fez essa obra, ou avaliou essa obra como possível, apenas para estragar o rio de janeiro ou a barra da tijuca e ainda ROUBAR dinheiro dos impostos pagos pelos cariocas que vão para tais infra estruturas.
    Primeiro cariocas:
    - Não há possibilidade de se instalar uma cidade da música naquele local, vide o ar que é de salmoura e destrói os aparelhos musicais, que são sensíveis!!
    - O trânsito na área não permute que ali parem carros a fim de se frequentar a cidade da músicaO local se tornaria um CAOS! Pois ali se formaria uma garganta.
    - O rio de janeiro não precisa de elefantes brancos e sim proteção as montanhas e belezas naturais, as quais estão sendo destruídas por favelas!
    - A nossa cidade não é obrigada a receber mais pessoas de outros estados e aumentar a violência e a favelização
    - A Cidade do rio de janeiro não possui infra-estrutura para mais imigrantes de outros estados do Brasil!
    - Sr. Presidente, lhe admiro, mas chega de prédios do PAC para as favelas!!! A mentalidade dessas pessoas não vai mudar e a população continuará sofrendo com violência!
    - Sr. Prefeito Eduardo Paes, o senhor é um bom homem pois se rouba, até agora não descobrimos, mas FAÇA TOLERÂNCIA ZERO COM A POPULAÇÃO E A FAVELA!!
    - CHEGA DE MAIS CONSTRUÇÕES DE PRÉDIOS NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
    Não pagarei mais impostos para IPTU ou qualquer outro tipo de imposto no qual eu não saiba onde cada centavo DO MEU pagamento foi alocado! E têm mais tenho direito disso pois imposto é um serviço que o estado me cobra e eu pagava até o momento, mas agora tomara que nenhum carioca pague mais esse CIRCO!

Destaque

Abre Cidade da Música Abre Cidade da Música - Já poderia estar funcionando há 3 anos e continua parada, fechada por picuinha política.

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